• juliana rabelo

A Dama dos gatos

"Cachorros acham que são homens. Gatos sabem que são Deuses."


Uma vez li esta linda frase e achei simplesmente perfeita. Não me lembro quem é o autor, então peço desculpas por não te contar. Sou apaixonada por gatos desde pequena. Foi a primeira palavra que eu disse. Só um amante de gatos consegue entender a grandeza da sua alma felina. Os cães são mestres em despertar imediatamente a afeição humana, com seu ar carente e brincalhão eles nos olham nos olhos e nos transmitem em questão de instantes a sua necessidade urgente de carinho, cuidado e atenção. Gatos não são assim. Gatos já nascem sabendo o valor que possuem e a divindade que representam. Gatos precisam ser primeiramente conquistados com respeito, admiração e atenção. Depois que ele perceber que você vê nele tudo aquilo de grandioso que ele tem, você terá acesso ao seu mundo mágico. E ficará definitivamente apaixonado pela sua liberdade, pela sua lealdade, pela sua beleza e pela sua graça.

Estou lhe contando tudo isso para você entender quem é Cuti. Ela é a Dama dos gatos. Não só porque tem dois exemplares maravilhosos deles em casa, mas porquê compartilha com eles as mesmas qualidades raras e inegáveis que são exclusivas dos felinos.

Eu a vejo assim. Se você a conhecesse talvez não conseguisse ver a beleza de suas orelhas atentas a qualquer movimento à sua volta, mas com certeza veria a graça com que ela se move, a suavidade com que ela fala (como se ronronasse de leve), o charme com que vira a cabeça levemente para o lado quando está feliz, a sua habilidade de passar do estágio de um repouso doce para total ação. Como os gatos, Cuti Não desperdiça energia. Usa o seu tempo livre para relaxar e contemplar, para procurar a luz e o que é belo, retratando-os através da lente dos seus olhos em sua câmera. Mas quando é necessário se transforma e defende não só o que acredita para si mas também o que acredita que deve ser protegida para aqueles que conquistaram seu coração e respeito.

Eu tentei reproduzir seu maravilhoso tom de pele em outras pinturas, mas nunca fui bem sucedida. Esta cor é dela e de mais ninguém.

Gatos não imploram por amor como os cães, gatos se permitem ser amados. Sabe o que origina a diferença entre uma coisa e outra? O amor próprio que ele sente por si mesmo. Foi isso que Cuti me ensinou. Muitas vezes na minha vida - ainda que quem me conhece diga que não - me comportei como cachorrinho que caiu do caminhão da mudança e precisava desesperadamente do amor de alguém para encontrar o seu novo rumo. A diferença entre eu e um cachorro vira-lata é que eu disfarço muuuuuuito bem, então mesmo que eu estivesse implorando para você me amar, você não vai perceber. Mas lá no fundo eu sabia. Com Cuti aprendi o contrário: reconheça e valorize tudo o que traz dentro de si, sem alarde, sem ter que sair expondo por aí a sua grandeza. Deixe que as pessoas mereçam ter você. Isso é absolutamente libertador para mim! E mais uma vez eu só tenho a agradecer e aprender.



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