• juliana rabelo

Marina princesa do mar

Quando a conheci há 10 anos atrás ela era apenas uma aprendiz. Não havia percebido ainda a sua natureza e poder, mas eu vi. Para mim sempre esteve lá, no reflexo discreto de suas escamas, na sua cauda suavemente balançando e na doçura da sua voz.

Marina é encantante. É simplesmente impossível ficar indiferente à ela. Ela parece não saber disso, o que obviamente a torna ainda mais bela. Ela é encantadora de seres humanos. Com seu perfil doce e constituição física muito delicada, as pessoas em geral a subestimam. Olham e veem apenas o que querem: a menina bonita, pequenina, ligeiramente tímida, que fala devagar e pausadamente, e que poderá ser facilmente manipulada. Doce ilusão! Já estão enredados e nem sabem...

Eu desconfio - uma opinião muito minha - que ela criou esse personagem para se proteger. Se ela mostrasse imediatamente a sua verdadeira natureza, alguém já a teria colocado numa rede e a trancado dentro de um aquário privado. E aí toda sua luz desapareceria...


Quando entreguei a ela este quadro ela gostou de ser uma sereia, mas não entendeu de fato. Naquele momento para ela as sereias eram apenas belas criaturas que enfeitiçavam os homens com suas vozes e os levavam para morrer no fundo do mar. Justo ela que encontrou o amor da sua vida aos 14 anos, não podia ser uma encantadora de homens! Como eu sou filha de uma sereia eu sabia que a verdade vai muito além, então esperei...


De lá para cá ela descobriu muitas coisas. A primeira delas que é obviamente ela é filha de Iemanjá. A segunda é que pessoas protegidas pelas sereias, são mais sensuais e mais envolventes sim, mas também são mais sonhadoras, mais sentimentais, mais empáticas com os outros, mais generosas e protetoras. As princesas das águas tem ainda um sexto sentido que as conecta com mistério do mundo que não vemos, mas que está aqui a nossa volta. As sereias prezam pela fertilidade do planeta e a proteção do mar, tanto o mar físico, como o "mar do inconsciente".


Foi então que ela entendeu a grandeza do arquétipo que ela representa com tanta fidelidade.


Agora sei que ela entende o seu desenho, e que se vê nele.


Amo ver como a cada passo ela se engrandece. Ela agora será mãe pela primeira vez. É claro que será uma menina. A natureza não erra. Chegará em breve outra princesa do mar.


À ela agradeço por me ensinar a força da doçura, como também o faz a minha mãe. Mas a minha mãe evita os combates. Marina os procura, os enfrenta e os vence. Sem jamais erguer o seu suave e belo tom de voz. Até conhecê-la, eu sempre acreditei mais na força do que na suavidade. Eu estava errada.


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