• juliana rabelo

Rafaela, minha primeira musa

Atualizado: 30 de Mai de 2019

Rafaela foi minha primeira musa. Ela passou bem uns quatro dias rodando dentro da minha cabeça. Bastava eu fechar os olhos que eu via uma Chapeleira Maluca me olhando.Ela praticamente me obrigou a desenhava-la; desafio e tanto já que era a primeira vez que eu acreditava ser possível, para mim, desenhar um ser humano.

E que responsabilidade começar por alguém tão complexa!

Rafa tem um alter ego secreto, e ela brinca de oscilar entre os dois. Às vezes comedida e discreta, às vezes ousada e irreverente. Nunca se sabe qual é a lente que ela quererá usar aquele dia. Acho que depende do lado que a borboleta que a acompanha resolver pousar ao amanhecer.

Mas uma coisa é certa: qualquer lado que ela escolha é sempre deliciosamente belo e aconchegante.

Sinto uma saudade imensa do seu sorriso e da maneira com que ela brinca com a vida, oscilante entre os dois lados, sem jamais cair.

Foi quase um susto quando a pintura deu certo. Eu olhei para o desenho e ela estava lá, me olhando com seu olho só, e me dizendo em silêncio: se eu posso ser duas mulheres em uma só, você também pode ser! Você também pode ser a engenheira careta e dedicada e a artista intuitiva e leve!!!!!!!

E assim resolvi obedecê-la, e deixei renascer Flor.

Flor ficou presa de mim dentro de mim dos meus quatro anos até os 40. Ela deve ter sofrido, tadinha. Eu tinha esperança que ela pudesse se libertar antes, mas a vida me levou para outro lado e não deu. Essa é outra história... outro dia te conto.

Eu tenho mania de querer contar tudo de uma vez, resolver tudo de uma vez, e fazer tudo de uma vez... mas vamos aprendendo com Sherazade que o gostoso é o processo. E que histórias a gente conta um pedacinho por noite, enquanto se desperta o afeto e o interesse de quem ouve, até que no final ele não consiga mais se afastar de você...




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